O mercado de private equity atrai olhares por suas altas cifras e promessas de retorno, mas existe um lado menos divulgado que exige atenção.
Private equity (PE) consiste em fundos que adquirem participações relevantes em empresas consolidadas, com o objetivo de reestruturar, crescer e tornar mais eficiente o negócio antes de vendê-lo com lucro.
Ao contrário do venture capital, que foca em startups, o PE busca companhias maduras com histórico de receitas e fluxo de caixa relevante. Esse capital de longo prazo costuma vir de Limited Partners (LPs) — fundos de pensão, seguradoras e family offices — e é gerido pelos General Partners (GPs), que cobram taxa de administração e um percentual dos lucros (“carried interest”).
Os volumes negociados refletem ciclos econômicos, juros e geopolítica. Em 2025, o mercado global de private equity mostrou retração e volatilidade:
As Américas lideram, com US$ 287,1 bi e 1.868 transações no primeiro trimestre, e os EUA respondem por grande parte desse volume mesmo em queda comparativa.
Por trás das cifras, existe pressão por liquidez das LPs e janelas de saída estreitas. Anos de juros baixos criaram um estoque de empresas em portfólio que agora enfrenta janelas de IPO muito estreitas e alternativas de M&A limitadas.
Em 2025, mais de 30.000 empresas estão sob gestão de fundos de PE, gerando um gargalo de saída e uma necessidade urgente de gerar distribuições de caixa.
Em 2025, PE se volta a segmentos com potencial previsível e impacto estratégico:
Além disso, a regionalização das cadeias de valor ganha força, com fundos priorizando mercados locais e nearshoring para reduzir riscos geopolíticos.
Empreendedores e investidores podem adotar medidas para equilibrar oportunidades e riscos:
Private equity continua sendo uma importante fonte de capital para empresas que buscam expansão e profissionalização. No entanto, é essencial reconhecer as tensões subjacentes que surgem quando juros altos e expectativas de LPs conflitam com horizontes de longo prazo.
Ao compreender as dinâmicas de ciclo, adotar práticas de governança robustas e estruturar saídas de forma criativa, é possível aproveitar o melhor desse mercado enquanto se limita o impacto das pressões de curto prazo.
Empreendedores ganham força ao estabelecer parcerias claras e realistas com fundos, e investidores se beneficiam ao diversificar estratégias, priorizar valor operacional e manter disciplina em momentos de euforia.
Referências