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O Papel do BACEN no Crédito Nacional

O Papel do BACEN no Crédito Nacional

10/01/2026 - 10:08
Robert Ruan
O Papel do BACEN no Crédito Nacional

O Banco Central do Brasil, como autarquia de “caráter especial”, exerce um papel crucial na definição e na regulação do crédito, influenciando diretamente a vida de famílias, empresas e toda a dinâmica econômica do país.

Enquadramento do Sistema Financeiro Nacional e o BACEN no Crédito

O Banco Central do Brasil (BACEN) é uma autarquia federal integrante do SFN, com jurisdição em todo o território nacional e sede em Brasília. Criado pela Lei nº 4.595/1964, inicialmente vinculado ao então Ministério da Fazenda, tornou-se em 2021 uma autarquia de caráter especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira.

Antes da criação do BACEN, funções monetárias e cambiais eram divididas entre a SUMOC, o Banco do Brasil e o Tesouro Nacional. Em 31 de dezembro de 1964, essas competências foram reunidas para formar o verdadeiro “banco dos bancos”.

Em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN), que define diretrizes da política monetária e de crédito, o BACEN executa e regulamenta grande parte dessas orientações, tendo seu papel reforçado pela Constituição de 1988, que atribuiu à União a emissão de moeda, proibiu empréstimos diretos ao Tesouro e instituiu a aprovação prévia pelo Senado para seus diretores.

Competências Legais e Objetivos Institucionais

Segundo a Lei Complementar 179/2021, o objetivo fundamental do BACEN é assegurar a estabilidade de preços e controle da inflação. Sem prejuízo dessa missão, deve também:

  • Zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro.
  • Suavizar as flutuações do nível de atividade econômica, influenciando ciclos de expansão e retração.
  • Fomentar o pleno emprego, criando condições macroeconômicas favoráveis.

Esses objetivos formam o pano de fundo para todas as ações do Banco Central, especialmente aquelas que envolvem a regulação dos fluxos de crédito em suas diversas modalidades.

Principais Instrumentos de Atuação que Afetam o Crédito

O BACEN dispõe de um amplo arsenal de instrumentos para controlar volume, custo e distribuição do crédito:

  • Execução da política monetária por meio da definição da taxa básica de juros (SELIC), estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
  • Operações de mercado aberto para compra e venda de títulos públicos, gerenciando a liquidez no sistema bancário.
  • Depósitos compulsórios que obrigam bancos a manter parte dos depósitos no BACEN, influenciando diretamente a capacidade de concessão de empréstimos.

Além disso, o BACEN atua como emprestador de última instância, oferecendo facilidades de redesconto e linhas emergenciais em momentos de aperto financeiro, evitando um crunch de crédito.

Na política macroprudencial, estabelece regras de capital mínimo (Basileia), limites de concentração de risco e normas de provisão para devedores duvidosos, sempre visando evitar crises bancárias que possam paralisar o fluxo de crédito.

Infraestrutura de Informações e Regulação do Crédito

Para assegurar transparência e qualidade no mercado de crédito, o BACEN mantém infraestrutura robusta de dados e sistemas de regulação:

O Sistema de Informações de Crédito (SCR) reúne informações detalhadas sobre operações de crédito de pessoas físicas e jurídicas, permitindo ao regulador monitorar riscos e tendências de inadimplência.

Outros sistemas, como o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), garantem a confiabilidade e o bom funcionamento das transações financeiras.

Essas bases de dados auxiliam o BACEN na tomada de decisões, na fiscalização de instituições financeiras e na formulação de normas que protegem depositantes, investidores e o próprio sistema financeiro.

Debates Atuais e Números Recentes

Nos últimos anos, o volume total de crédito alcançou cerca de 50% do PIB, refletindo expansão significativa, mas também desafios, como inadimplência próxima a 4% no segmento de pessoas físicas.

Debates centrais envolvem a adoção de políticas de juros mais flexíveis, a incorporação de fintechs e o open banking, que prometem aumentar a competição e reduzir custos para tomadores de crédito.

Também se discute o impacto das mudanças climáticas no risco de crédito, especialmente no setor agrícola, e a necessidade de regulação prudencial específica para linhas de financiamento sustentável.

Por fim, o BACEN tem avançado em iniciativas de inclusão financeira, promovendo a digitalização de serviços e ampliando o acesso ao crédito para pequenas empresas e microempreendedores.

Robert Ruan

Sobre o Autor: Robert Ruan

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