No cenário econômico brasileiro de 2025, a decisão entre usar crédito ou depositar recursos na poupança exige análise cuidadosa. Com a taxa Selic próxima a 15% ao ano e inflação ainda presente, entender as vantagens e riscos de cada opção é fundamental para alcançar objetivos financeiros com segurança e eficiência.
Em 2025, a Selic está em torno de 14,75% a 15% ao ano, influenciando diretamente o rendimento das aplicações de renda fixa e o custo do crédito. A inflação permanece sob controle moderado, mas ainda afeta o poder de compra e a rentabilidade real dos investimentos.
A poupança, tradicional no Brasil, registrou saída de R$ 78,5 bilhões até setembro de 2025, reflexo da busca por alternativas mais atraentes diante dos juros elevados. Ao mesmo tempo, o crédito bancário encolheu mais de 10% na demanda, pois o alto custo do dinheiro tornou empréstimos e financiamentos menos acessíveis.
A poupança é o investimento de renda fixa mais conhecido e simples do país. Seu funcionamento segue regras definidas pelo Banco Central e garante liquidez imediata, permitindo resgates a qualquer momento, embora o rendimento só seja creditado na data de aniversário do depósito.
As fórmulas atuais de rendimento são:
Em 2025, a poupança rende cerca de 0,6728% ao mês (~7% ao ano). É isenta de imposto de renda e protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF.
Para ilustrar as diferenças de rendimento, veja a comparação das principais alternativas de renda fixa:
Imagine aplicar R$ 1 milhão em cada opção por um ano. Na poupança, o rendimento seria em torno de R$ 70 mil, enquanto no Tesouro Selic, após impostos, chegaria a aproximadamente R$ 11 mil acima da poupança. Em contas remuneradas que pagam 120% do CDI, esse ganho adicional se amplia.
Quando a inflação supera o rendimento da poupança, há perda de poder de compra. Entre 2023 e 2025, a poupança frequentemente apresentou rentabilidade real negativa, enquanto produtos atrelados ao IPCA garantiram manutenção e crescimento do capital.
Investir sem considerar a inflação pode corroer reservas ao longo do tempo, principalmente em contextos de preços elevados.
Crédito é o uso de recursos de terceiros de forma antecipada, com pagamento acrescido de juros. Engloba cartão de crédito, empréstimo pessoal, crédito consignado, financiamentos e cheque especial. Com a Selic em patamares elevados, as taxas de juros ficam entre 20% e 300% ao ano, conforme o tipo de operação.
As principais formas de crédito incluem:
O custo efetivo total (CET) reúne juros, tarifas e seguros, e pode ser significativamente maior que a taxa nominal divulgada.
O crédito permite acesso imediato a bens e serviços, possibilitando compras parceladas e coberturas de emergências. No entanto, o risco de superendividamento é alto, especialmente quando se utilizam modalidades de curto prazo e altas taxas de juros.
A escolha entre crédito e poupança depende de perfil, objetivo e urgência:
Para quem busca maior rendimento, existem opções acessíveis:
Considere aportes mensais de R$ 1.000 ao longo de 24 meses. Em poupança, o valor acumulado estaria abaixo de R$ 26 mil. No Tesouro Selic, mesmo após impostos, superaríamos R$ 28 mil. Uma conta digital remunerada a 120% do CDI alcançaria cerca de R$ 29 mil no mesmo período.
No caso de um empréstimo pessoal de R$ 10 mil a 2 anos com CET de 25% ao ano, o valor total pago ultrapassa R$ 15 mil, enquanto investir essa quantia poderia render mais de R$ 1.500 acima da inflação.
A crescente saída de recursos da poupança sinaliza maior conscientização dos investidores. Programas de educação financeira, aplicativos de controle de gastos e plataformas de investimento adotadas por bancos digitais estão transformando o hábito de poupar e investir.
Entender taxas, prazos e tributação faz toda diferença na construção de um patrimônio sólido e na prevenção do endividamento.
Decidir entre crédito e poupança envolve avaliar objetivos, perfil de risco e custo de oportunidade. Para segurança e liquidez, a poupança ainda é uma opção válida, mas alternativas de renda fixa entregam melhor rentabilidade. O crédito deve ser usado com parcimônia, apenas quando estritamente necessário.
Planejar, educar-se e comparar cenários são etapas essenciais para tomar a melhor decisão. Ao alinhar suas metas financeiras com as condições de mercado, você estará no caminho certo para transformar escolhas em conquistas duradouras.
Referências